segunda-feira, 28 de julho de 2014

CASO CLÍNICO DE ACIDOSE RESPIRATÓRIA


Paciente de 30 anos chega ao Setor de Emergência em estado de coma, apenas respondendo aos estímulos dolorosos. Sua respiração é superficial e com frequência normal. Familiares encontraram próximo a ela diversas caixas de tranquilizantes vazias. 
Gasometria arterial: pH= 7,20; PaCO2= 80mmHg; BR= 23 mM/L; BE= -1,2. 

Qual(is) o(s) distúrbio(s) ácido-básico(s) apresentado(s), seu(s) mecanismo(s), causa mais provável, outros exames a serem solicitados e tratamento ?

Como o pH está menor que 7,35 trata-se de uma acidose.
A PaCO2 maior que 45 mmHg mostra que existe um importante componente respiratório.
O BR (Broncoscopia Rígida) normal mostra que não há compensação metabólica.
Portanto o distúrbio ácido-básico é acidose respiratória aguda.

O mecanismo do distúrbio nesta paciente é a diminuição da eliminação de CO2 por redução da ventilação alveolar; insuficiência respiratória aguda, tipo hipoventilação.
A causa provável, em função da história, é depressão do centro respiratório por excesso de tranquilizantes.

Dois outros exames a serem solicitados são:
1 - radiografia de tórax a fim de verificar se não há outras causas para o distúrbio ou a complicação mais frequente em intoxicações deste tipo - pneumonia por aspiração de conteudo gástrico;
2 - Análise toxicológica no sangue para confirmar o tipo de medicamento ingerido e orientar o tratamento definitivo.


Neste caso o tratamento inicial é o suporte da vida: estabelecer vias aéreas permeáveis através de intubação traqueal e normalizar a ventilação alveolar com uso de ventiladores mecânicos. Só então indica-se a lavagem gástrica para retirada de resíduos de medicamentos. Dependendo do(s) agente(s) ingerido(s) o tratamento definitivo pode se dirigir para o uso de antagonistas específicos, para retirada do agente do organismo através de hemofiltração ou diálise ou simplesmente aguardar a metabolização, mantendo o suporte ventilatório.

Referência:
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABYbwAJ/estudo-casos-clinicos

8 comentários:

  1. No Brasil, como na maioria dos países, os medicamentos se apresentam como o principal agente tóxico, correspondendo em aproximadamente 28% dos casos de intoxicação humana registrados. Os benzodiazepínicos, antigripais, anti-depressivos, antiflamatórios são as classes de medicamentos que mais intoxicam em nosso pais. Além disso, crianças menores de 5 anos representam, aproximadamente, 35% dos casos de intoxicação por medicamentos, no Brasil. (Fonte: Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX). Por conta disso, caso algum profissional esteja atendendo a algum caso de intoxicação medicamentosa e esteja em dúvida sobre qual procedimento adotar, é interessante contatar o CEATOX (Centro de Assistência Toxicológica).

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  2. No caso clínico citado pelo post, a acidose respiratória foi provocada por uma ingestão excessiva de algum “tranquilizante” (ou ansiolítico, como é mais conhecido atualmente). Esses medicamentos, em grandes quantidades, abrandam o ritmo da respiração, fazendo com que os pulmões não expulsem o anidrido carbônico de forma adequada. A acidose respiratória pode também acontecer nas doenças que afetam os pulmões, tais como o enfisema, a bronquite crônica, a pneumonia grave, o edema e a asma. Além disso, essa condição pode se desenvolver quando alguma doença de ordem nervosa ou muscular afetam os nervos ou músculos do tórax (respectivamente) dificultando e prejudicando o mecanismo da respiração.
    http://www.manualmerck.net/?id=164&cn=1297

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. A gasometria arterial é um exame laboratorial de grande valia para avaliação da oxigenação e do equilíbrio ácido-base de um paciente. É pedida quando há um desequilíbrio ácido-base ou quando há problemas respiratórios. Resultados anormais da gasometria podem indicar que o paciente não está recebendo oxigênio suficiente, não está eliminando dióxido de carbono em quantidade adequada, há um problema na função renal ou existe um problema metabólico.
    A acidose respiratória se caracteriza quando o resultado da gasometria apresenta pH baixo e PCO2 alto, devido a dificuldade respiratória – pouco oxigênio é absorvido e pouco dióxido de carbono é eliminado. Isso tem muitas causas, incluindo pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica e sedação excessiva, ou como no caso clínico citado, ingestão excessiva de algum ansiolítco;
    Diferente da acidose, a alcalose respiratória se caracteriza por pH alto e PCO2 baixo, devido a hiperventilação causada por dor, sofrimento emocional e outros distúrbios.

    http://labtestsonline.org.br/understanding/analytes/gasometria/tab/test/

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  5. A acidose respiratória em geral é um distúrbio agudo que pode ser grave e rapidamente fatal. Casos de enfisema pulmonar e outras doenças crônicas do parênquima pulmonar, podem desenvolver graus leves de acidose respiratória crônica, cuja duração permite compensação relativamente eficaz. A retenção crônica de dióxido de carbono, aumenta o teor de ácido carbônico do organismo. Os rins eliminam íons hidrogênio e retém os íons bicarbonato, o que aumenta a reserva de bases e mantém o pH nos limites normais ou muito próximo deles. Infecções respiratórias podem descompensar estes pacientes levando-os a grandes aumentos da PCO2 e grandes quedas do pH resultando em acidose respiratória crônica agudizada.

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  6. Achei importante acrescentar que em situações clínicas acima citada, intoxicação exógena por ansiolíticos, é de extrema importância manter vias aéreas permeáveis, pois teremos um quadro de diminuição da frequência respiratória ou até mesmo parada. No entanto, passada a urgência independente de haver antagonista ou não para o determinado medicamento é essencial passar uma SNG de grosso calibre para lavagem intestinal com carvão ativado principalmente se o paciente for atendido nas quatro horas após. Vale acrescentar que cada caso é específico e é necessário seguir corretamente o protocolo para tóxicos com o intuito de manter a vida, realizando o tratamento conforme a resposta fisiológica do paciente.

    http://www.saude.ba.gov.br/pdf/Apostila_CIAVE_Ago_2009_A4.pdf

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  7. Vale ressaltar que a acidose respiratória pode ter várias causas. A acidose respiratória surge quando os pulmões não expulsam o anidrido carbónico de uma forma adequada. Isto pode acontecer nas doenças que afectam gravemente os pulmões, tais como o enfisema, a bronquite crónica, a pneumonia grave, o edema pulmonar e a asma. A acidose respiratória também se pode produzir quando as doenças dos nervos ou dos músculos do tórax dificultam o mecanismo da respiração. Além disso, uma pessoa pode desenvolver acidose respiratória se estiver demasiadamente sedada por narcóticos e hipnóticos que abrandam o ritmo da respiração.
    http://www.manualmerck.net/?id=164&cn=1297

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  8. A acidose respiratória aguda ocorre quando ocorre uma insuficiência abrupta da ventilação. A insuficiência ventilatória pode ser causada por depressão do centro respiratório central devido à doença cerebral ou drogas, inabilidade de ventilar adequadamente devido a doença neuromuscular (como miastenia gravis, esclerose lateral amiotrófica, síndrome de Guillain-Barré, distrofia muscular) ou obstrução de vias aéreas relacionada a asma ou exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Também pode ser causada por trauma cirúrgico. Por exemplo, em cirúrgias videolaparoscópicas com uso de gás carbônico (CO2), o organismo acaba absorvendo parte do CO2, presente no peritônio. Em resultado disso, diminui o Ph sanguíneo e eleva o nível de CO2. Isso pode ser observado num exame de gasometria colhida no intra-operatório, podendo ser corrigida pela manutenção dos parâmetros ventilatórios.

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