CASO CLÍNICO DE ACIDOSE RESPIRATÓRIA
Paciente de 30 anos chega
ao Setor de Emergência em estado de coma, apenas respondendo aos estímulos
dolorosos. Sua respiração é superficial e com frequência normal. Familiares
encontraram próximo a ela diversas caixas de tranquilizantes vazias.
Gasometria
arterial: pH= 7,20; PaCO2= 80mmHg; BR= 23 mM/L; BE= -1,2.
Qual(is) o(s)
distúrbio(s) ácido-básico(s) apresentado(s), seu(s) mecanismo(s), causa mais provável, outros exames a serem solicitados e tratamento ?
Como o pH está menor que
7,35 trata-se de uma acidose.
A PaCO2 maior que 45 mmHg
mostra que existe um importante componente respiratório.
O BR (Broncoscopia Rígida) normal mostra que não
há compensação metabólica.
Portanto o distúrbio ácido-básico
é acidose respiratória aguda.
O mecanismo do distúrbio
nesta paciente é a diminuição da eliminação de CO2 por redução da ventilação
alveolar; insuficiência respiratória aguda, tipo hipoventilação.
A causa
provável, em função da história, é depressão do centro respiratório por excesso
de tranquilizantes.
Dois outros exames a serem solicitados são:
1 - radiografia de tórax a
fim de verificar se não há outras causas para o distúrbio ou a complicação mais
frequente em intoxicações deste tipo - pneumonia por aspiração de conteudo
gástrico;
2 - Análise toxicológica
no sangue para confirmar o tipo de medicamento ingerido e orientar o tratamento
definitivo.
Neste caso o tratamento
inicial é o suporte da vida: estabelecer vias aéreas permeáveis através de intubação
traqueal e normalizar a ventilação alveolar com uso de ventiladores mecânicos.
Só então indica-se a lavagem gástrica para retirada de resíduos de
medicamentos. Dependendo do(s) agente(s) ingerido(s) o tratamento definitivo
pode se dirigir para o uso de antagonistas específicos, para retirada do agente
do organismo através de hemofiltração ou diálise ou simplesmente aguardar a
metabolização, mantendo o suporte ventilatório.
Referência:
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABYbwAJ/estudo-casos-clinicos
No Brasil, como na maioria dos países, os medicamentos se apresentam como o principal agente tóxico, correspondendo em aproximadamente 28% dos casos de intoxicação humana registrados. Os benzodiazepínicos, antigripais, anti-depressivos, antiflamatórios são as classes de medicamentos que mais intoxicam em nosso pais. Além disso, crianças menores de 5 anos representam, aproximadamente, 35% dos casos de intoxicação por medicamentos, no Brasil. (Fonte: Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX). Por conta disso, caso algum profissional esteja atendendo a algum caso de intoxicação medicamentosa e esteja em dúvida sobre qual procedimento adotar, é interessante contatar o CEATOX (Centro de Assistência Toxicológica).
ResponderExcluirNo caso clínico citado pelo post, a acidose respiratória foi provocada por uma ingestão excessiva de algum “tranquilizante” (ou ansiolítico, como é mais conhecido atualmente). Esses medicamentos, em grandes quantidades, abrandam o ritmo da respiração, fazendo com que os pulmões não expulsem o anidrido carbônico de forma adequada. A acidose respiratória pode também acontecer nas doenças que afetam os pulmões, tais como o enfisema, a bronquite crônica, a pneumonia grave, o edema e a asma. Além disso, essa condição pode se desenvolver quando alguma doença de ordem nervosa ou muscular afetam os nervos ou músculos do tórax (respectivamente) dificultando e prejudicando o mecanismo da respiração.
ResponderExcluirhttp://www.manualmerck.net/?id=164&cn=1297
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ResponderExcluirA gasometria arterial é um exame laboratorial de grande valia para avaliação da oxigenação e do equilíbrio ácido-base de um paciente. É pedida quando há um desequilíbrio ácido-base ou quando há problemas respiratórios. Resultados anormais da gasometria podem indicar que o paciente não está recebendo oxigênio suficiente, não está eliminando dióxido de carbono em quantidade adequada, há um problema na função renal ou existe um problema metabólico.
ResponderExcluirA acidose respiratória se caracteriza quando o resultado da gasometria apresenta pH baixo e PCO2 alto, devido a dificuldade respiratória – pouco oxigênio é absorvido e pouco dióxido de carbono é eliminado. Isso tem muitas causas, incluindo pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica e sedação excessiva, ou como no caso clínico citado, ingestão excessiva de algum ansiolítco;
Diferente da acidose, a alcalose respiratória se caracteriza por pH alto e PCO2 baixo, devido a hiperventilação causada por dor, sofrimento emocional e outros distúrbios.
http://labtestsonline.org.br/understanding/analytes/gasometria/tab/test/
A acidose respiratória em geral é um distúrbio agudo que pode ser grave e rapidamente fatal. Casos de enfisema pulmonar e outras doenças crônicas do parênquima pulmonar, podem desenvolver graus leves de acidose respiratória crônica, cuja duração permite compensação relativamente eficaz. A retenção crônica de dióxido de carbono, aumenta o teor de ácido carbônico do organismo. Os rins eliminam íons hidrogênio e retém os íons bicarbonato, o que aumenta a reserva de bases e mantém o pH nos limites normais ou muito próximo deles. Infecções respiratórias podem descompensar estes pacientes levando-os a grandes aumentos da PCO2 e grandes quedas do pH resultando em acidose respiratória crônica agudizada.
ResponderExcluirAchei importante acrescentar que em situações clínicas acima citada, intoxicação exógena por ansiolíticos, é de extrema importância manter vias aéreas permeáveis, pois teremos um quadro de diminuição da frequência respiratória ou até mesmo parada. No entanto, passada a urgência independente de haver antagonista ou não para o determinado medicamento é essencial passar uma SNG de grosso calibre para lavagem intestinal com carvão ativado principalmente se o paciente for atendido nas quatro horas após. Vale acrescentar que cada caso é específico e é necessário seguir corretamente o protocolo para tóxicos com o intuito de manter a vida, realizando o tratamento conforme a resposta fisiológica do paciente.
ResponderExcluirhttp://www.saude.ba.gov.br/pdf/Apostila_CIAVE_Ago_2009_A4.pdf
Vale ressaltar que a acidose respiratória pode ter várias causas. A acidose respiratória surge quando os pulmões não expulsam o anidrido carbónico de uma forma adequada. Isto pode acontecer nas doenças que afectam gravemente os pulmões, tais como o enfisema, a bronquite crónica, a pneumonia grave, o edema pulmonar e a asma. A acidose respiratória também se pode produzir quando as doenças dos nervos ou dos músculos do tórax dificultam o mecanismo da respiração. Além disso, uma pessoa pode desenvolver acidose respiratória se estiver demasiadamente sedada por narcóticos e hipnóticos que abrandam o ritmo da respiração.
ResponderExcluirhttp://www.manualmerck.net/?id=164&cn=1297
A acidose respiratória aguda ocorre quando ocorre uma insuficiência abrupta da ventilação. A insuficiência ventilatória pode ser causada por depressão do centro respiratório central devido à doença cerebral ou drogas, inabilidade de ventilar adequadamente devido a doença neuromuscular (como miastenia gravis, esclerose lateral amiotrófica, síndrome de Guillain-Barré, distrofia muscular) ou obstrução de vias aéreas relacionada a asma ou exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Também pode ser causada por trauma cirúrgico. Por exemplo, em cirúrgias videolaparoscópicas com uso de gás carbônico (CO2), o organismo acaba absorvendo parte do CO2, presente no peritônio. Em resultado disso, diminui o Ph sanguíneo e eleva o nível de CO2. Isso pode ser observado num exame de gasometria colhida no intra-operatório, podendo ser corrigida pela manutenção dos parâmetros ventilatórios.
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