terça-feira, 27 de maio de 2014

DOENÇA RENAL TERMINAL E FISIOPATOLOGIA DA SÍNDROME URÊMICA

A falha dos rins na manutenção da funções excretora, reguladora e endócrina adequadas leva a sintomas, sinais físicos e achados anormais que caracterizam a SÍNDROME URÊMICA, manifestação clínica terminal da insuficiência renal.
A DOENÇA RENAL TERMINAL e sua resultante síndrome urêmica podem ser consequência de qualquer uma das doenças renais.
Os sinais clássicos da uremia são: fraqueza progressiva e fadiga fácil, perda de apetite seguida de náusea e vômito, devastação muscular, tremor, função mental anormal, respiração frequente mas superficial e acidose metabólica. A síndrome evolui produzindo torpor, coma e levando à morte se não for fornecido apoio por hemodiálise ou transplante renal.
A regulação dos líquidos corporais é prejudicada nos pacientes com uremia pela incapacidade de excretar o excesso de líquido ingerido ou enfrentar perdas líquidas do vômito ou diarreia. Os pacientes também apresentam uma dificuldade de excretar uma carga de sal ou reter sódio, quando a ingestão é baixa ou o volume vascular é inadequado. A excreção de ácido e de metabólitos nitrogenados são prejudicadas.
Consequentemente, a composição do plasma é instável em resposta a fatores como alimentação, hidratação, sangramento gastrointestinal, vômito, diarreia e ingestão de medicamentos.
Portanto, os resultados laboratoriais característicos para esse tipo de paciente compreendem concentrações aumentadas de compostos nitrogenados (ureia, creatinina) como resultado da TFG (taxa de filtração glomerular) reduzida e função tubular diminuída. A retenção desses compostos e de ácidos metabólicos é seguida de hiperfosfatemia, hipocalcemia e hipercaliemia. Além disso, a função endócrina reduzida se manifesta pela síntese inadequada de eritropoietina e vitamina D ativa, resultando em anemia e osteomalacia. A regulação desordenada da pressão arterial leva à hipertensão.
Seja qual for a causa da doença renal terminal, a fisiopatologia renal resulta em  TFG e função tubular diminuídas, devido à perda de néfrons individuais.


Referência: 
TIETZ. Fundamentos de Química Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1998.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Olá pessoal, esse blog tem o objetivo de abordar, a cada semana, diferentes casos clínicos com os quais podemos nos deparar na prática médica e relacioná-los com a importância da bioquímica clínica para detecção e cura dessas doenças através de exames laboratoriais. Bem Vindos!



USO DO LABORATÓRIO NO DIAGNÓSTICO E NA CONDUTA EM DOENÇA HEPÁTICA

Fazendo-se um grupo de testes selecionados, é possível, com seus resultados, responder aos seguintes questionamentos.

1. O paciente possui doença hepática?

A doença é suspeitada através de um histórico cuidadoso e do exame físico, além da triagem química em exames de saúde.
Os testes mais usados para identificar a presença de doença hepática em um paciente incluem as dosagens de bilirrubina total, AST, ALT, FAL e GGT no soro. Eles fornecem um índice da função sintetizadora e sugerem anormalidades, como lesão celular e colestase.

      2. Que tipo de distúrbio ele possui?


Quando é confirmada a presença de doença hepática no paciente, surge uma questão na prática clínica: a doença é paraquimentosa ou colestase?
      A doença paraquimentosa (lesão celular hepática aguda)  relaciona-se a um aumento marcante nos níveis de aminotransferases.
A colestase caracteriza-se por acúmulo de componentes biliares no soro, os níveis de bilirrubina conjugada e total no soro mostram-se elevados em algum grau. As atividades de FAL e GGT estão aumentadas.

3. Qual é a gravidade da doença? 


      Os indicadores bioquímicos mais importantes para determinar a gravidade da doença são a bilirrubina no soro, PT e albumina no soro.
 
      4. Como ela pode ser monitorada?

A determinação dos níveis séricos das aminotransferases deve ser suficiente para acompanhar o curso da hepatite aguda por vírus.
As atividades de ALT e AST retornam usualmente ao normal, indicando que o fígado cicatrizou.
Os valores normais de aminotransferases que persistem por seis meses ou mais são indicativos de hepatite crônica.


 Paciente do sexo masculino, de 62 anos, com Doença Hepática Alcoólica


Referência: 
TIETZ. Fundamentos de Química Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1998.