quarta-feira, 2 de julho de 2014

AVALIAÇÃO LABORATORIAL DA DOENÇA ATEROSCLERÓTICA (continuação)
Os principais fatores de risco para a doença arterial coronariana são:
1. Baixos níveis de HDL
2. Altos níveis de LDL
3. Hipertensão arterial
4. Diabetes Melito
5. Obesidade
6. Tabagismo
7. Sedentarismo
5. Obesidade
Obesidade é um fator de risco para a doença aterosclerótica de importância relativamente baixa, principalmente se isolada. Sua influência é mais marcante entre as mulheres e é indiscutível quando associada à hipertensão arterial, diabetes melito e/ou dislipidemia.
No obeso, a concentração plasmática das lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL-colesterol) e LDL-colesterol tendem a ser mais elevadas e da lipoproteína HDL mais baixa. Este perfil pode ser determinado pelo estado de hiperinsulinismo habitualmente presente no obeso, em razão do aumento na resistência periférica à insulina.
6. Tabagismo
Entre outros malefícios, o fumo promove o aparecimento de aterosclerose precoce, possivelmente por acentuar a oxidação das lipoproteínas LDL. O fumante sofre um efeito sinérgico entre os outros fatores de risco eventualmente presentes. Indivíduos que fumam e não possuem outros fatores de risco, com freqüência desenvolvem obstrução coronariana mais em decorrência de fenômenos trombóticos que por ateroscleróticos. Tem sido demonstrado que a interrupção do hábito de fumar melhora o prognóstico.
7. Atividade física
Reduzida atividade física é a maior responsável pela obesidade. Esta, o tabagismo e o excesso de ingestão de gorduras são menos prevalentes em indivíduos que mantém atividades físicas regulares. Por outro lado, baixo gasto de energia está mais associado ao desenvolvimento de obesidade do que excesso de aporte alimentar.
Para que a atividade física possa representar efeito redutor do risco do desenvolvimento de doença aterosclerótica, ela deve ser realizada de forma adequada nos que se refere ao tipo, freqüência, intensidade e duração.

Referências: 
GUYTON e HALL. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1998.
http://bioquimicaclinicaonline.wordpress.com/2010/08/page/13/

9 comentários:

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  2. A prevalência de hipertensão é cerca de 50% em indivíduos obesos, mostrando que hipertensão e obesidade estão intimamente relacionados. Podemos observar os efeitos da doença da obesidade no quadro de hipertensão por esse trecho no artigo: "As alterações hemodinâmicas da obesidade caracterizam-se por aumento do volume intravascular e do débito cardíaco, com manutenção de valores normais de resistência vascular periférica. Estas alterações, associadas com hipertensão, levam ao desenvolvimento da forma excêntricaconcêntrica de hipertrofia ventricular esquerda, predispondo o paciente obeso ao maior risco de arritmia cardíaca e de insuficiência cardíaca congestiva.
    Outra importante alteração verificada na obesidade é a resistência à insulina, com considerável interesse na possibilidade de que ela possa ser o principal fator responsável pela hipertensão da obesidade. A hiperinsulinemia poderia desencadear mecanismos que aumentam a retenção renal de sódio, ativam o sistema nervoso simpático e aumentam a reatividade vascular. Todavia, apesar destas constatações, vários estudos não conseguiram demonstrar associação entre hiperinsulinemia e hipertensão. Assim, considera-se hoje que o aumento da insulina plasmática não é, isolada-mente, o mecanismo responsável pela hipertensão na obesidade. Também os sistema nervoso simpático e renina-angiotensina estão com sua atividade aumentada na obesidade e exercem forte influência sobre a elevação da pressão arterial.
    Quanto à leptina, seus níveis plasmáticos estão aumentados na obesidade, acarretando múltiplas ações que são potencialmente relevantes não somente para o controle do apetite e da massa corporal, mas também para a regulação do sistema cardiovascular. A leptina aumenta a atividade simpática e causa alterações na excreção renal de sódio, favorecendo a elevação da pressão arterial. Por outro lado, ela tem outras ações como aumento da sensibilidade à insulina e estimulação da formação de óxido nítrico, que tenderiam para uma redução da pressão arterial. Assim, a real importância da leptina sobre a regulação da pressão arterial ainda não está estabelecido.
    A redução de peso e a sua manutenção é o método mais efetivo em diminuir a pressão arterial em obesos."
    (http://www.abeso.org.br/pagina/213/hipertensao+e+obesidade.shtml)

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  3. Há muito tem sido demonstrado que o aumento do consumo de gordura associa-se à elevação da concentração plasmática de colesterol e à maior incidência de aterosclerose coronária e aórtica. A terapia nutricional deve, portanto, ser adotada na prevenção e no tratamento das dislipidemias, onde o plano alimentar deverá contemplar questões culturais, regionais, sociais e econômicas, devendo ser agradável ao paladar e visualmente atraente. O paciente deverá receber também orientações relacionadas à seleção, quantidade, técnicas de preparo e substituições dos alimentos

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  4. O exercício físico, predominantemente aeróbico (LEON, 2000; NAPOLI et al., 2006) e de intensidade moderada (SMITH, 2001; NAPOLI et al., 2006), realizado regularmente (BENÍTEZ et al., 2002; PYNN et al., 2004; YANG & CHEN, 2003), pode promover adaptações fisiológicas e bioquímicas, prevenindo o desenvolvimento de doença cardiovascular, incluindo aterosclerose (SHEPHARD & BALADY, 1999; THOMPSON et al., 2003). Dentre essas alterações estão o aumento da sensibilidade à insulina e a tolerância à glicose (SMITH, 2001; THIRUNAVUKKARASU et al., 2003); a redução da pressão arterial (SMITH, 2001; BENÍTEZ et al., 2002), do peso corporal (SMITH, 2001) e de triacilgliceróis (LEAF, 2003); melhora do perfil de lipoproteínas (SMITH, 2001; BENÍTEZ et al., 2002), como o aumento das concentrações plasmáticas de HDL (SMITH, 2001; LEAF, 2003) e redução de VLDL (BENÍTEZ et al., 2002). Todavia, o mecanismo pelo qual o exercício promove a redução do risco para a aterogênese não está totalmente esclarecido (MEILHAC et al., 2001). Uma explicação para a redução de eventos coronarianos associados ao exercício físico crônico, diz respeito ao aumento do débito cardíaco que ocorre durante o exercício que aumentaria a força de cisalhamento (shear stress) sobre a parede vascular e assim, gerando o aumento da expressão de óxido nítrico pelo endotélio vascular (GREEN et al., 2004; PRIOR et al., 2004; MARSH & COOMBES, 2005). O endotélio atua na manutenção do tônus vascular através da liberação de endotelina, prostaglandinas e óxido nítrico. Esse último mantém a superfície dos vasos não trombogênica e não aderente às plaquetas e leucócitos, inibindo a aderência de células à parede arterial e a migração e proliferação de células musculares lisas, além de inibir a oxidação da LDL (SMITH, 2001; YANG & CHEN, 2003). Desse modo, o aumento de óxido nítrico com o exercício físico é benéfico para a redução de doenças cardiovasculares. Uma vez que, a redução na síntese ou na disponibilidade local de óxido nítrico tem sido frequentemente relacionada como a principal responsável pela disfunção endotelial, a qual caracteriza-se por ser um dos primeiros passos para o início da aterosclerose (GREEN et al. ,2004; PRIOR et al., 2004; MARSH & COOMBES, 2005).

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  5. Em geral, as manifestações clínicas das doenças cardiovasculares (DCV), como infarto do miocárdio, AVE e doença vascular periférica, são causadas por um processo aterosclerótico e têm início a partir da meia-idade. No entanto, estudos atuais indicam que o processo aterosclerótico começa a se desenvolver na infância. A obesidade é um importante preditor das DCV, e já foram observadas lesões arteriais nas paredes vasculares de crianças obesas. A prevalência da obesidade na infância e na adolescência traz consequências em curto e longo prazos, por estar associada a um perfil lipídico anormal, com aumento da concentração de colesterol total, triglicerídeo e LDL, e diminuição de HDL. O cigarro, além de ser fator de risco para o baixo peso ao nascer, para o descolamento prematuro da placenta e para doenças pulmonares, é um fator de risco importante nas DCV, por diminuir as concentrações sanguíneas de HDL. A exposição passiva ao tabaco está relacionada a baixos níveis plasmáticos de HDL, o que está associado a uma disfunção endotelial significativa.
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2008000400012

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  6. Em geral, as doenças cardiovasculares há uma longa fase assintomática precedendo as manifestações clínicas da aterosclerose. O ritmo de progressão do processo aterosclerótico é variável, dependendo do grau de exposição a uma série de fatores de riscos. A maioria deles tem início ou é adquirido na infância, tendendo a persistir ao longo do tempo. Esse artigo analisou estudantes de uma universidade privada de São Paulo de ambos os sexos de idade entre 17 a 25 anos. Além do perfil lipídico, foi investigada a associação de entre seus valores anormais com outros fatores de risco a doença aterosclerótica.

    http://publicacoes.cardiol.br/abc/1999/7205/72050004.pdf

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  7. A obesidade também contribui com a dislipidemia aterogênica. Altos níveis de ácidos graxos livres provenientes da gordura visceral alcançam o fígado através da circulação portal e estimula a síntese de VLDL pelos hepatócitos. Esta elevação de VLDL pode diminuir o c-HDL por aumentar a troca de colesterol da HDL para VLDL. O tecido adiposo pode sintetizar citocinas, promovendo o processo inflamatório e potencializando a aterogênese independente dos efeitos na resistência à insulina ou nas lipoproteínas.
    [http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000780440]
    [http://www.greghi.com.br/atero/atobesid.php]

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  8. Estudos epidemiológicos vêm demonstrando expressiva associação entre estilo de vida ativo, menor possibilidade de morte e melhor qualidade de vida. Os malefícios do sedentarismo superam em muito as eventuais complicações decorrentes da prática de exercícios físicos, os quais, portanto, apresentam uma interessantíssima relação risco/benefício. Considerando a alta prevalência, aliada ao significativo risco relativo do sedentarismo referente às doenças crônicodegenerativas, o incremento da atividade física de uma população contribui decisivamente para a saúde pública, com forte impacto na redução dos custos com tratamentos, inclusive hospitalares, uma das razões de seus consideráveis benefícios sociais. Pesquisas têm comprovado que os indivíduos fisicamente aptos e/ou treinados tendem a apresentar menor incidência da maioria das doenças crônico-degenerativas, explicável por uma série de benefícios fisiológicos e psicológicos, decorrentes da prática regular da atividade física.
    Fonte: documento Posição oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte: atividade física e saúde

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