terça-feira, 10 de junho de 2014

PANCREATITE AGUDA (PA) E OS EXAMES LABORATORIAIS

A pancreatite aguda é o inchaço e a inflamação repentinos do pâncreas, seu principal sintoma é dor abdominal sentida no lado esquerdo superior ou no centro do abdome. 

O pâncreas produz enzimas, bem como os hormônios insulina e glucagon. Na maior parte do tempo, as enzimas ficam ativas somente depois de atingirem o intestino delgado, onde elas são necessárias para a digestão dos alimentos.


Quando essas enzimas ficam, de alguma forma, ativas dentro do pâncreas, elas digerem o tecido do pâncreas. Isso causa inchaço, hemorragia e danos ao pâncreas e aos seus vasos sanguíneos.
A pancreatite aguda apresenta mortalidade de 10 a 15%, dependendo da gravidade do processo. Em 80% dos casos, sua causa está associada com ingestão de bebidas alcoólicas e cálculos biliares.
O diagnóstico costuma ser feito pela combinação de achados clínicos e alterações laboratoriais. O médico realizará um exame físico, que pode mostrar que você tem:
  • Sensibilidade ou nódulo (massa) abdominal
  • Febre
  • Pressão arterial baixa
  • Frequência cardíaca alta
  • Frequência respiratória alta
Testes laboratoriais serão conduzidos. Entre os testes que mostram a liberação de enzimas pancreáticas estão:
  • Alto nível de amilase no sangue: a amilase aumenta de 6 a 12 horas após o início do quadro, com valores de 3 a 5 vezes acima do normal. Índices mais baixos não excluem uma PA, já que a amilase pode se normalizar de 24 a 48 horas após o início da crise.
  • Alto nível de lipase sérica no sangue: a dosagem de lipase sérica é mais sensível e específica, e tem se tornado o teste de escolha. Ela se eleva de 24 a 48 horas após a instalação do quadro, atingindo valores de 3 a 5 vezes acima do normal.
  • Alto nível de amilase na urina
Outros exames de sangue que podem ajudar a diagnosticar a pancreatite ou suas complicações são:
  • Hemograma completo
  • Painel metabólico abrangente
Entre os testes de imagiologia que podem mostrar a inflamação do pâncreas estão:
  • Tomografia computadorizada abdominal: é o melhor método para avaliar a extensão da inflamação, a presença de necrose, as lesões peripancreáticas e os pseudocistos.
  • Ressonância magnética abdominal
  • Ultrassom abdominal
A identificação rápida desse quadro é importante, uma vez que esses casos necessitam de internação urgente em unidades de terapia intensiva. Os critérios de identificação desses pacientes são:

Na admissão: refletem a intensidade do processo inflamatório.

Idade > 55 anos
Leucocitose > 15000
Glicemia > 200mg/dL
DHL > 350 U/L
AST > 250 U/L

Durante as primeiras 48 horas: denotam as repercussões sistêmicas da doença.

Queda do hematrócito > 10%
Aumento da ureia acima de 5mg/dL
PO2 < 60mmHg
Cálcio < 8mg/dL
Déficit de base > 4mEq/L
Sequestro de líquidos > 6L


Referências: 
TIETZ. Fundamentos de Química Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1998.
http://bioquimica-clinica.blogspot.com.br/2010/08/pancreatite-aguda.html

8 comentários:

  1. Gostei da simplicidade como o tema foi tratado. Acho importante evidenciar os tipos de pancretites são: aguda e crônica. A pancreatite aguda geralmente começa com dor no abdome superior que pode durar por poucos dias. A dor pode ser acentuada e pode tornar-se constante - só no abdome - ou pode se irradiar para as costas e outras áreas. Ela pode ser súbita e intensa ou começar como uma dor fraca que torna-se pior quando é ingerido o alimento. Algumas pessoas com pancreatite aguda freqüentemente sentem-se e aparentam muito doentes. Já na pancreatite crônica a maioria das pessoas têm dor abdominal, algumas não têm nenhuma dor. A dor pode torna-se pior ao beber ou comer, espalhando-se para as costas ou tornado-se constante e incapacitante. Em certos casos, a dor abdominal desaparece com a progressão da doença, provavelmente porque o pâncreas não está mais produzindo enzimas digestivas. Outros sintomas presentes são as náuseas, vômitos, perda de peso e fezes gordurosas. Além disso, o diabetes pode desenvolver-se nesta fase. Existe uma contradição nos exames para poder diagnosticar ambos, enquanto na aguda existe alterações na amilase e lipase sérica estão na faixa normal devido a fibrose e a perda progressiva do parênquima pancreático. Pode haver elevação nos níveis de fosfatase alcalina e bilirrubinas e esses pacientes sentem muita dor. Dessa forma, a pancreatite aguda é mais grave do que a crônica, pois pode evoluir, rapidamente, para sepse pela ruptura da parede do órgão já que as enzimas estão em grande atividade.

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  2. A avaliação precoce com estratificação de risco é essencial para realizar diferenciação entre quadros leves e graves e depende muito dos exames laboratoriais. Além disso, é importante para evitar possíveis complicações, como infecção, que manifesta-se nas primeiras duas semanas da doença e requer tratamento cirúrgico imediato, formação de pseudocisto e o aparecimento de abscessos, que já é mais tardio que o da necrose infectada, ocorrendo pelo menos quatro semanas após o início da pancreatite aguda.

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  4. Pesquisando os possíveis tratamentos relacionados à pancreatite aguda, achei interessante a necrossectomia com lavagem peritoneal, onde é realizada ressecção do tecido necrótico e são colocados drenos calibrosos na loja pancreática que são utilizados para irrigação contínua a cada dois dias até que a cavidade seja considerada saneada. Nos artigos relacionados, diversas técnicas foram descritas para o tratamento da necrose pancreática. Em todas, o que determina o tratamento é o controle do foco infeccioso através da remoção do tecido necrótico, preservação do tecido pancreático normal e drenagem do exsudato(líquido) inflamatório. (http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=170)

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  5. Além das causas já apresentadas aqui, a pancreatite aguda pode ser ocasionada por:
    • Idiopatia
    • Problemas autoimunes (quando o sistema imunológico ataca o corpo).
    • Bloqueio do ducto pancreático ou do ducto biliar comum, os tubos que drenam enzimas do pâncreas
    • Danos aos ductos ou ao pâncreas durante cirurgia
    • Altos níveis no sangue de triglicerídeos no sangue (hipertrigliceridemia)
    • Lesão no pâncreas por um acidente
    • Síndrome hemolítico-urêmica (SHU)
    • Uso de determinados medicamentos (especialmente estrógenos, corticosteroides, diuréticos de tiazida e azatioprina)
    • Infecções virais, inclusive caxumba, coxsackie B, pneumonia por micoplasma e campylobacter

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  6. Para que os sintomas da pancreatite sejam amenizados é necessário que se siga uma dieta especial. A dieta para pancreatite consiste em diminuir drasticamente o consumo de alimentos que contenham gordura visível e em sua composição. Esta dieta deve iniciar assim que a pancreatite seja diagnosticada e é fundamental para garantir o sucesso do tratamento.
    http://www.tuasaude.com/pancreatite/

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  7. Um aspecto bastante importante da pancreatite é seu correlacionamento ao alcoolismo. Principalmente no Brasil em que a dependência alcoólica atinge níveis altíssimos.A lesão pelo álcool pode não aparecer por muitos anos e então a pessoa, subitamente, ter um ataque de pancreatite. Em até 70% das pessoas nos Estados Unidos (90% no Brasil), a pancreatite crônica parece ser causada pelo alcoolismo. Esta forma é mais comum em homens que em mulheres e desenvolve-se entre as idades de 30 e 40 anos.

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  8. No caso da pancreatite aguda, é importante frisar que seu tratamento é clínico, mas requer internação hospitalar, porque o doente deve ficar em jejum e receber hidratação por soro na veia. Como não existe nenhum medicamento capaz de desinflamar o pâncreas, é preciso deixá-lo em repouso até que a inflamação regrida, o que acontece em 80% dos casos. Os outros 20% evoluem para uma forma grave da doença, com lesão de órgãos, como pulmões e fígado, além do pâncreas. Esses doentes podem entrar em choque e têm de ser transferidos para a unidade de terapia intensiva. Nos casos mais graves em que ocorre infecção e necrose da glândula, o tratamento cirúrgico é indicado para a retirada do material necrótico.

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